quarta-feira, 1 de setembro de 2010

foi-se


- Sabe Ana, eu levei dias e mais dias para te entender. Porque você é tão inconstante? Porque uma hora você quer, e daí alguns minutos você já não quer mais?
- É por causa de você mesmo Dan. Conforme você muda, eu mudo. Você é como o vento, e eu como o barco. Culpa sua o mar me leva, e eu como barco que sou, obrigam a me mudar de direção. Na medida em que você muda, eu mudo. A diferença é que você muda por sua própria vontade, mas eu mudo por pura automaticidade. Eu queria que você me entendesse, embora eu não te entenda.
Poucos sabem sobre amor, sobre amar. Entre eu e ele não há nenhum entendimento, não há nenhum dialogo que defina o que ele é e sente. Durante dias eu pensei em dizer coisas para ele, mas o que eu diria? Qual era o problema? Eu só precisava das palavras certas, ou então, apenas uma maneira de me expressar.
- Sente-se. Eu fiz um sinal para ele com as mãos. – O que você sabe sobre mim? Sim, você sabe o básico. Meu nome, minha idade, onde moro, essas coisas bobas, que qualquer um sabe. Mas, você sabe o que mora constantemente em mim? Você sabe o que eu penso todos os dias? Menos? Tá. Você sabe o que eu faço todos os dias? Me diz, o que você sabe que se refira a mim ? Dan, eu queria que você soubesse mais sobre mim, eu queria que você me perguntasse o que eu fiz no meu dia, na minha semana, no meu mês. É puro interesse meu. Mas eu faço seus interesses, e isso não me custa nada.
Reinou um silêncio cálido. Ele estava olhando para algum lugar bem longe da onde estávamos. Como se ele estivesse procurando uma palavra certa para me dizer. Quando eu ia dizer mais, ele me cortou.
- Ana, se eu te disser que eu te amo, e que eu sei disso, e tenho plena certeza?
Eu fixei meus olhos nos pés dele, sem poder olhar para seu rosto, que me passava tanta certeza. Até parece que eu coloquei meu coração em uma caixa minúscula.
- Não. Isso não muda nada, ‘Sr. Vento’. Você quem é inconstante. Uma hora me deseja, n’outra não. O barco não agüenta certas tempestades, o vento o leva para longe, e em vezes, nunca trás de volta.
Ele fechou os olhos, e firmou seus lábios, como se fosse explodir a qualquer momento, e me dizer dezenas de blasfêmia. Ele me deu as costas, nem se quer ousou olhar para trás.

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